
Livro: Filosofia da Cirurgia
Autor: Henrique Walter Pinotti
Apreciação feita pelo Prof. Paulo Nathanael Pereira de Souza, Doutor em Educação e titular da Academia Brasileira de Filosofia.
Este é o livro que fazia falta: “Filosofia da cirurgia”, escrito com o entusiasmo, a paciência e o enfoque cientifico, que sempre acompanharam, na vida e na profissão, o Dr. Henrique Walter Pinotti, seu autor. Cirurgião famoso, líder e mestre no seu ofício, destaca-se o Dr. Henrique, não apenas pela expertise que desenvolveu em dezenas de anos de prática no exercício da medicina, quer como arte, quer como ciência, mas, sobremodo, pela profunda visão humanística, que sempre pôs em todos os seus atos, o que o faz um raro representante de uma prática que, à semelhança de outras profissões igualmente importantes, vem perdendo a alma, para entregar-se cada vez mais ao mecanismo das máquinas e dos laboratórios. Não que laboratórios e máquinas sejam dispensáveis. Não podem se-lo neste mundo conduzido pela velocidade da tecnologia. O que se quer é que o ser humano médico resista ao domínio de sua ciência pela impessoalidade desses meios auxiliares de seus diagnósticos, e defenda com unhas e dentes o lado moral, ético, filosófico e psicológico dos seus procedimentos profissionais. Afinal sua atividade vive também da compaixão e da solidariedade, e deve fazer-se com um misto de razão (competência laboral) e afetividade (humanidade), sempre com o pensamento posto no valor da existência humana, que é o primeiro e o último bem de cada um de nós. Por isso dizia Hipócrates: “O médico que é, ao mesmo tempo filosofo, assemelha-se aos deuses. Não há grande diferença entre medicina e filosofia, porque todas as qualidades do bom filosofo devem ser encontradas no médico”. Ou como diziam os romanos: “Quod optimus medicus sit quoque philosophus (Ótimo médico necessita ser também ótimo filosofo)”.
As armas do cirurgião, além do bisturi e dos conhecimentos profundos de anatomia e fisiologia, terão necessariamente que ser também as da ética (deontologia ou a consciência dos deveres relativos à prática do bem na área profissional) e as da empatia, (ou a capacidade de colocar-se no lugar do paciente, para sentir o que ele sente e querer o que ele quer). Disso tudo decorre a fama, o respeito, o sucesso e a honradez do cirurgião.
Vida longa para este livro e que se torne ele o livro de cabeceira de todos os médicos e estudantes de medicina do nosso Brasil.
COMENTÁRIO:
Jornal Folha de São Paulo
Domingo, 21 de março de 2010
PLANTÃO MÉDICO
A filosofia da cirurgia
JULIO ABRAMCZYK
COLUNISTA DA FOLHA
Aposentado após brilhante carreira na área da cirurgia do aparelho digestivo, Henrique Walter Pinotti, professor-emérito da Faculdade de Medicina da USP, é autor de mais de 800 trabalhos publicados em revistas médicas nacionais e estrangeiras, além de 36 livros e monografias lançadas no Brasil e no exterior.
Pinotti aproveita sua experiência de mais de 50 anos e oferece aos médicos e residentes uma obra inédita no campo da cirurgia.
Nas 261 páginas divididas em 20 capítulos de "Filosofia da Cirurgia", Pinotti rememora a forma empírica das operações nas antigas civilizações e mostra a repercussão do início dos estudos da anatomia humana para a cirurgia, há cerca de 500 anos.
Analisa, igualmente, o progresso da cirurgia no século 20: "Acordávamos pela manhã com inovações acontecidas na véspera!".
O autor considera fundamental para o cirurgião um mecanismo reflexivo no tratamento dos pacientes e na interpretação do conjunto da moral e ética, com ênfase em que a realidade ou verdade científica em cirurgia é também mutável.
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